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Primeiro de maio

No mês de maio, historicamente, a classe trabalhadora inicia, desde 1891, comemorando o dia internacional dos trabalhadores, instituído pela II Internacional Socialista, para relembrarmos a greve dos proletários dos Estados Unidos da América e a luta pela jornada de 8 horas. Portanto, é um dia de combate contra a exploração capitalista e de solidariedade de classe mundial.[1]


No mundo todo, há luta contra as medidas anticrise orgânica do sistema capitalista, uma crise inflacionária global com o aumento massivo dos preços e as perdas salariais reais dos últimos anos.


Na França, desde janeiro, milhões de trabalhadores e jovens estão nas ruas lutando, incialmente, contra a reforma da previdência de Marcon, que eleva a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos. Porém, o desenvolvimento das lutas expressa um descontentamento com a inflação e com o desmonte dos serviços públicos, ataques aos servidores públicos e com a deterioração das condições de trabalho. A classe trabalhadora reagiu com dias de paralização e greves mais longas. No entanto, não é só na França que vemos esse desdobramento da luta de classes.[2]


Ainda no continente europeu vimos a polarização esquentar também na Alemanha. O sindicato Ver.di e o sindicato de ferroviários e transportes (EVG) organizaram uma grande greve em 27 de março, que envolveu motoristas de ônibus e trem, além de trabalhadores de rodovias e aeroportos. As greves estão surtindo efeito, com o sindicato Ver.di registrando 63.000 novos membros desde o início do ano.[3]


Nos países do centro do capitalismo, particularmente na América do Norte, mais especificamente nos Estados Unidos, a sindicalização tem apresentado um crescimento nos últimos anos, acompanhado de uma intensificação da luta. Empresas como John Deere, Kellogg's, Nabisco, Kaiser Permanente e Hollywood têm sido palco dessa mobilização. Profissionais de diversas áreas, desde enfermeiros até mineiros de carvão, carpinteiros, professores, metalúrgicos, trabalhadores de trânsito e de saneamento têm se unido em todo o país. Essa mobilização é apenas uma pequena amostra da batalha em curso, pois a crise sistêmica do capitalismo obriga os trabalhadores a se unirem para protegerem suas vidas e meios de subsistência. Recentemente, em abril deste ano, chegou ao fim a maior greve da história dos mineiros, que durou incríveis 600 dias e foi liderada pela United Mine Workers of America.[4, 5]


No Canadá, mais de 155.000 trabalhadores federais do governo fizeram greve, em abril, devido a cortes salariais reais e negociações infrutíferas. A greve foi liderada pela Aliança de Serviço Público do Canadá (PSAC) e foi uma das maiores da história do país. Se nos países do centro do capitalismo as lutas estão se intensificando, nos países dependentes da América Latina a situação não está muito diferente.[6]


Passamos por períodos de duras lutas no Chile e na Bolívia em 2019 que desaguaram na eleição de governos de conciliação de classes. A eleição de governos colaboracionistas também ocorreu na Colômbia, com Gustavo Petro[7], no México com Andrés Manuel Lópes Obrador, na Argentina com Alberto Fernandes, no Peru com Pedro Castillo.


No entanto, os casos mais emblemáticos são as recentes derrotas no Chile, na votação da constituinte são lições sobre a disputa das instituições burguesas e o golpe de estado que derrubou Castillo, mobilizando povos dos quatro cantos do Peru para derrubar a presidente ilegítima, Dina Boularte.[8]


Gabriel Boric, no Chile, tem implementado suas políticas repressivas, incluindo a recente Lei Naín-Retamal, que confere imunidade aos policiais no uso da força. A coalizão governista Apruebo Dignidad, composta pelo Amplo Frente e pelo Partido Comunista do Chile, tem se aproximado da antiga coalizão Concertación, que tem defendido medidas de austeridade e políticas neoliberais. O governo também falhou em cumprir suas promessas de acabar com a militarização no território ancestral Mapuche e implementar um sistema de saúde universal, entre outras reformas. Essas políticas do governo estão abrindo caminho para a reação e o autoritarismo.[9] Essa situação, bem como a do Peru, são semelhantes a que pode ocorrer no Brasil, com esse novo governo Lula-Alckmin.


No Brasil nos unimos para derrotar o governo Bolsonaro, e tivemos uma vitória nas urnas. Seguimos lutando para revogação das contrarreformas trabalhista, previdenciárias, do Ensino Médio, pela melhora de vida e por investimentos públicos necessários para garantia dos nossos direitos básicos.


No entanto, as políticas econômicas do novo governo falham em atender às demandas das massas exploradas e oprimidas. Apesar da derrota do governo Bolsonaro, a administração atual ainda está aliada aos capitalistas e é incapaz de lidar com as questões fundamentais da classe trabalhadora. O "novo arcabouço fiscal" recentemente proposto pelo governo é apenas um novo teto de gastos, que garantirá que o governo cumpra seus compromissos de superávit fiscal para pagar a dívida pública e beneficiar bancos internacionais e especuladores. O recente conflito do governo com o Banco Central em relação às taxas de juros também faz parte de seus esforços para promover uma economia capitalista, e não para beneficiar a classe trabalhadora. Por fim, a recusa do governo em revogar o programa Novo Ensino Médio, que faz parte de seus esforços para reduzir os gastos do governo com educação e abrir caminho para a privatização.[10]


No mundo todo estão ocorrendo revoltas e insurreições, e ficaram de fora outras revoltas importantíssimas que também demonstram a disposição de luta da classe trabalhadora. Apesar disso, percebemos que a falta de um programa revolucionário diminui nossa capacidade de sairmos vitoriosos. E para isso devemos construir um partido revolucionário.


O primeiro de maio é um dia de relembrarmos nossa história e revigorarmos nosso ânimo para travar as lutas do nosso tempo enfrentando os ataques da burguesia, do governo Lula-Alckmin e das direções dos aparatos da nossa classe (CUT, PT, PSOL, UNE, UBES etc.) que desviam nossa luta para terrenos pantanosos, e de nossos métodos mais efetivos de combate, como a greve, a mobilização das bases, a formação política e a luta pelo socialismo.


A CUT organizou eventos festivos de comemoração ao dia internacional dos trabalhadores, e em São Paulo, juntamente com outras centrais sindicais, convidou o bolsonarista governador Tarcisio de Freitas para participar do ato. Em Porto Alegre, montou um palco com atrações na Praça da Usina do Gasômetro. Em suas pautas ela lança as palavras de ordem contra os juros altos e contra a inflação, mas não fala em revogar as contrarreformas trabalhista e previdenciária. Além disso, fizeram atos festivos, comemorativos, mesmo se tratando de um dia de luta.[11]


Também em Porto Alegre, doze organizações organizaram no 1º de maio um ato classista e independente, em frente à prefeitura municipal, saindo em marcha pelo Centro Histórico até o Largo Zumbi dos Palmares, destacando as diversas lutas que enfrentamos mundialmente, a importância de nos unificarmos em frentes particulares e de travarmos a luta para derrubada do sistema capitalista e construção do socialismo.



É importante apoiarmos as medidas, mais imediatas, que melhoram a vida da classe trabalhadora, mas não podemos deixar de denunciar e apontar os limites das apostas na institucionalidade de um governo de colaboração de classes, em um terreno hegemonizado por forças burguesas.


A política do governo Lula-Alckmin tem levado diversos setores a perceber, gradualmente, a necessidade de mobilização e organização independente para revogar ataques anteriores, impedir novos e avançar em conquistas. Uma nova geração de trabalhadores e jovens está surgindo, aprendendo com experiências práticas. Esses ativistas participaram da luta para derrotar Bolsonaro e agora dão os primeiros passos na luta por reivindicações sob o governo de união nacional. Eles também estão observando exemplos de outros países, como as mobilizações contra a reforma da previdência e o governo Macron na França, como o governo Borich no Chile.


Os revolucionários devem se conectar com essas camadas, lutando lado a lado, explicando a necessidade do programa revolucionário e da organização revolucionária. Uma explosão de luta de classes está se preparando para o próximo período, com o aprofundamento da crise capitalista. Esse é um terreno favorável para o crescimento do partido revolucionário. Organizem-se, e à luta!



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